domingo, 27 de abril de 2014

Os Videntes Maximino e Melanie


Beato Maximino Giraud, Vidente de Nossa Senhora de La Salette (França)


Maximino Giraud nasceu em Corps, a 26 de agosto de 1835. Era o quarto filho de Ana Maria Templier e de Germano Giraud, um pobre fabricante de carroças, ambos naturais da região. Entre os filhos havia uma menina, Angélica. Maximino tinha um ano e meio de idade quando, a 11 de janeiro de 1837, sua mãe morreu. Pouco depois da morte da esposa, Giraud casou novamente. A madrasta, porém, não nutria afeição alguma para com Maximino, apesar da natural simpatia do garoto. Tratava-o mal. O mal-amado passaria fome se não fosse a solidária partilha de alimento que seu meio-irmão, filho do pai com a madrasta, lhe prestava. O pai, por sua vez, não dava maior atenção a Maximino. Vivia seu tempo entre a oficina e o bar.

O menino foi crescendo sem rumo, vagando pelas ruas da cidade, acompanhado de uma cabra e do cãozinho Lulu, seus grandes amigos. Corria atrás de diligências e cavaleiros que transitavam por Corps, pequena cidade situada junto a importante via de comunicação com o Sudeste da França. A família mal estruturada não deu a Maximino a afeição e a orientação de que precisava em sua infância para a formação de sua personalidade. Não frequentava escola nem catecismo. Não sabia rezar o Pai Nosso por inteiro. Analfabeto, mas, esperto, de bom coração, franco, tagarela, Maximino tinha um olhar expressivo e um modo simpático de ser. Sem malícia, descuidado, irrequieto, era apelidado de “movimento perpétuo”. Fisicamente subdesenvolvido e intelectualmente mediano. Falava o “patois”, dialeto da região. Sabia poucas palavras de francês. Assim viveu Maximino até seus onze anos de idade, quando recebeu a graça imensa de ver a “Bela Senhora”, conforme ele dizia.
A 13 de setembro de 1846, o domingo anterior à Aparição, Pierre Selme, morador de Ablandens, uma aldeia do Município de La Salette, e amigo de Giraud, desceu a Corps para solicitar ao pai de Maximino os bons serviços do menino por alguns dias. Precisava substituir um pastor seu que estava adoentado. O pai de Maximino relutou em aceitar o pedido do amigo. Receava a irresponsabilidade de Maximino. Com a promessa de vigiar de perto o menino, Pierre Selme teve seu pedido atendido.

No dia 14 de setembro, Maximino subiu o Monte Planeau juntamente com o patrão Pierre Selme, para conhecer o local onde o pequeno rebanho de que cuidaria, iria pastar. Na tarde da quinta feira, dia 17 de setembro, inesperadamente se encontrou com Melânia Calvat que pastoreava no alto do Monte Planeau. Não se conheciam. Trocaram raras palavras e cada um partiu com seu rebanho. No dia seguinte encontraram-se novamente na montanha. Deram-se, então, a conhecer melhor. Tomando conhecimento de que ambos eram naturais de Corps, a conversa fluiu mais espontaneamente, apesar da grande timidez de Melânia. Despediram-se fazendo uma aposta sobre quem seria o primeiro a chegar às pastagens com o respectivo rebanho, na manhã seguinte, 19 de setembro, dia em que, juntos, viram a “Bela Senhora”, no alto da Montanha da Salette.

À tarde do dia bendito, inesperadamente viram à beira de um regato, um foco de luz intensa. O foco se abriu e uma Senhora em lágrimas apareceu sentada sobre uma pedra. Levantando-se, chamou junto a si as duas pobres crianças. Transmitiu-lhes uma longa Mensagem impregnada de ensinamentos bíblicos. Depois de forte apelo à conversão do povo, a “Bela Senhora”, como os dois pastores a chamavam, caminhou montanha acima até onde despareceu pedindo aos videntes que transmitissem a todo o povo a Mensagem que havia deixado.

Durante a Aparição, enquanto a Bela Senhora lhes dirigia a Mensagem, Maximino, irrequieto, fazia girar o chapéu na ponta do cajado de pastor, e brincava com as pedrinhas junto aos pés da Bela Senhora. No entanto, gravou com precisão e por toda a vida as palavras de Maria em sua Aparição. Tinha respostas prontas e surpreendentes quando os inquisidores queriam levá-lo a contradições sobre o que havia visto e ouvido na Aparição.

No dia seguinte à Aparição, Maximino voltou para a casa de seu pai, em Corps. Por graça do Pároco, Padre Mélin, e com a ajuda financeira de Dom Philibert de Bruillard, Bispo de Grenoble, foi admitido ao Colégio das Irmãs da Providência, na cidade natal. Como semi-interno, estudou ali durante quatro anos. Aprendeu a ler, a escrever e a falar o francês enquanto se preparava para a 1ª Comunhão e a Crisma.

Os peregrinos e curiosos, no entanto, não o deixavam tranquilo. Com frequência subia a Montanha da Aparição em companhia dos visitantes, interessados em conhecer o evento por ele sempre minuciosamente descrito. A todos repetia com extrema fidelidade a narrativa da Aparição. Nesse contexto, alguns iluminados partidários da Casa Real da França, destronada pela Revolução Francesa, e seguidores de um falso “barão de Richemont”, pretenso filho do Rei Luis XVI e alegado pretendente do trono francês, procuravam manipular o vidente para seus próprios interesses políticos. Eram pessoas impregnadas de espírito esotérico, apocalíptico, carregadas de curiosidade malsã por profecias e segredos de todo tipo. Queriam conhecer o conteúdo do propalado “segredo da Salette”, crentes de que poderia servir a seus intentos políticos. Maximino, no entanto, percebendo a malícia deles, não lhes dava a resposta desejada. Nem ele nem Melânia jamais revelaram o “segredo”, isto é, a verdadeira “palavra pessoal” que cada um, separadamente e secretamente, recebeu da Bela Senhora.

Contra o conselho de Padre Mélin, Pároco de Corps, e as ordens do Bispo de Grenoble, Dom Philibert de Bruillard, mas, forçado pelo Tio Templier e pelos demais interesseiros políticos, Maximino foi conduzido a Ars, a 22 de setembro de 1850. O intento dos exploradores de Maximino era obter do Santo Cura D´Ars que desvendasse o “segredo da Salette” a favor dos escusos fins políticos que buscavam. Maximino, um adolescente de quinze anos de idade, mal suportava a companhia deles. Levado pelo desejo de conhecer outros lugares além de Corps, e cansado das pressões sofridas, o jovem acompanhou o grupo. Em Ars foram recebidos pelo intempestivo Padre Raimundo, Coadjutor da Paróquia. O Padre recebeu Maximino com atitudes agressivas. Tratou-o de mentiroso. Para ele, o evento da Salette não passava de trapaça.

Durante a manhã de 25 de setembro de 1850, o Cura d´Ars encontrou-se rapidamente por duas vezes com Maximino.

Em outubro de 1850, Maximino entrou no Seminário Menor de Rondeau, perto de Grenoble. Poucos meses depois, em julho de 1851, Maximino e Melânia, a pedido de Dom Philibert de Bruillard, puseram por escrito o suposto “segredo” recebido separadamente por eles na Aparição. O Bispo, pressionado por certas circunstâncias que o preocupavam, queria que o “segredo” fosse comunicado ao Papa Pio IX antes que caísse em mãos interesseiras. Foi um momento difícil para os dois videntes. Os escritos de ambos foram levados sigilosamente ao Vaticano.

Em 1856 o jovem Maximino passou para o Seminário Maior dos Jesuítas em Landes, para estudar Filosofia. Instável, desistiu depois algum tempo. Em 1859 foi a Paris para estudar medicina. Trabalhou por algum tempo no Hospital de Vésinet. Apesar da conduta irrepreensível, deixou o trabalho por falta de capacidade. Sem emprego, viveu na miséria. Durante alguns meses viveu pelas calçadas de Paris, sem amigos. O casal Jourdain finalmente veio em seu auxílio, mas, sem suprir todas as necessidades. Desencantado, o frustrado estudante de Medicina desistiu de seus estudos de Medicina e voltou a Corps em 1864.

Em sua cidade natal, mal ganhava a vida como comerciante de objetos religiosos e licores de ervas medicinais das montanhas, numa precária sociedade com um amigo que o explorou. Acabou endividado. Pediu auxílio aos Missionários de Nossa Senhora da Salette que atendiam o Santuário da Montanha da Aparição em fase final de construção. Nesse período, o casal Jourdain assegurava-lhe certa estabilidade e pagava as dívidas de Maximino a ponto de o próprio casal entrar em falência.

Em 1865 viajou para a Itália, com a ajuda de amigos. Estando em Roma, por interferência de seu amigo, o Cardeal Villecourt, Maximino foi admitido no Corpo da Guarda Pontifícia onde serviu por poucos meses.

Voltou a Corps onde, em 1866, publicou um opúsculo: -"Minha profissão de fé a respeito da Aparição de Nossa Senhora de La Salette", na plena fidelidade à sua “Bela Senhora”. Em 1870, durante a Guerra entre a França e a Prússia, foi convocado para servir no Forte Militar de Barraux, em Grenoble. Mensalmente procurava um Missionário Saletino para se confessar. No começo de 1874 contraiu uma doença grave. Tendo amainado a doença, em novembro de 1874 subiu pela última vez a Montanha da Salette. Comungou e diante de um auditório particularmente atento e comovido, fez mais uma vez a narrativa da Aparição como o fizera desde o dia da Aparição. Foi sua última narrativa.

Após o período militar em Grenoble, voltou a Corps e a 1º de março de 1875 confessou-se e recebeu os Santos Sacramentos. Logo após a partida do Padre que o atendeu, deu o último suspiro. Problemas de coração o levaram à morte, aos quarenta anos de idade. Apesar de sua instabilidade pessoal, viveu uma vida edificante, de cristão íntegro e solidamente apegado a Nossa Senhora. Guardava em seu coração um terno e profundo amor à Bela Senhora da Aparição. Diariamente rezava o terço em sua honra. Não casou e a alguém que o criticava por isso, respondeu: “Depois que vi a Santa Virgem, não posso me apegar a nenhuma outra pessoa sobre a terra”. Ele mesmo reconhecia que não era modelo de vida, como afirmou ao descrever, um dia, o final da Aparição: “Ela se elevou e desapareceu, e me deixou com todos os meus defeitos”.

Seus restos mortais repousam no cemitério de Corps. Seu coração, depois de embalsamado, foi deposto em local especial dentro da Basílica de La Salette, ao lado do altar mor. Foi sua última vontade. Queria assim marcar seu fiel amor à Bela Senhora da Salette como havia escrito em seu testamento: - "Creio firmemente, mesmo ao preço de meu sangue, na célebre Aparição da Santíssima Virgem sobre a Santa Montanha de La Salette, a 19 de setembro de 1846. Aparição que defendi por palavras, por escritos e por sofrimentos... Com estes sentimentos dou meu coração a Nossa Senhora de La Salette".




Beata Melanie Calvat, Vidente de Nossa Senhora de La Salette (França)

Melânia nasceu em Corps, a 7 de novembro de 1831. Tinha quatro anos a mais que Maximino. Seu pai, Pierre Calvat, homem rude, serrava madeiras. Dada sua enorme pobreza, aceitava, porém, qualquer serviço para garantir a sobrevivência da numerosa família. Com a esposa Julie Barnaud teve dez filhos. Melânia era a quarta. As crianças muitas vezes se viam obrigadas a mendigar pelas ruas de Corps. O clima familiar era pesado. Tolhia o necessário equilíbrio afetivo das crianças.

Desde os sete ou oito anos de idade, Melânia era posta a serviço de famílias da região, para ganhar o pão de cada dia, durante a primavera e o verão. Prestava serviços domésticos ou cuidava de pequenos rebanhos pelas montanhas da região. Durante o outono e inverno, vivia na casa dos pais onde tudo faltava. Uma experiência de verdadeira afeição e proteção familiar não lhe foi concedida em sua infância, carência que teve suas consequências na vida de jovem e adulta. Longe de casa, não podia frequentar nem escola nem catecismo. Não sabia ler nem escrever. Não havia aprendido a rezar o Pai Nosso e a Ave Maria por completo. Em sua reduzida capacidade intelectual, falava apenas o “patois”, o dialeto regional. Conhecia apenas algumas palavras do francês. Sua ignorância antes de 1846 era inegável, segundo testemunhas.

Melânia tinha um caráter difícil. Tímida, introvertida, teimosa, contrariava-se facilmente. Seus muitos sofrimentos a fizeram assim. Tinha feições delicadas, apesar de subdesenvolvida fisicamente. Era muito modesta, pura, mas de poucos modos.

Por causa da diferença de idade entre Melânia e Maximino, e das constantes ausências fora de Corps por parte de Melânia, ambos, apesar de conterrâneos, não se conheciam. Semelhantes na pobreza eram inteiramente diferentes no caráter.

Entre a primavera e o verão de 1846, Melânia encontrava-se em Ablandens, um pobre vilarejo pertencente ao Município de La Salette. Como pastora, estava a serviço da família de Jean-Baptiste Pra, um vizinho de Pierre Selme a quem Maximino servia naquela ocasião. O patrão de Melânia dizia que ela era desleixada em suas orações, e descuidada a ponto de não se importar em apanhar chuva ou permanecer com a roupa molhada. Às vezes passava a noite no relento ou no estábulo junto ao rebanho sob seus cuidados.

Na tarde de 19 de setembro de 1846, Melânia, juntamente com Maximino, teve a graça de ver, no alto da Montanha da Salette, a Bela Senhora. A experiência extraordinária marcou definitivamente a vida de ambos. Guardaram cuidadosamente em seu coração a Mensagem de Nossa Senhora, apesar da grande fragilidade humana de ambos. Melânia tinha quinze anos por ocasião do evento maravilhoso.

Depois da Aparição, a pastora permaneceu em Ablandens, sempre a serviço de Jean-Baptiste Pra. No dia 15 de dezembro de 1846 voltou para junto de sua família em Corps. Se muito havia sofrido antes da Aparição, mais ainda sofreria depois, por causa da Aparição.

Com Maximino, foi admitida ao Colégio das Irmãs da Providência de sua cidade natal. Passava o dia na escola e à noite voltava para o seio da família. No Colégio permaneceu por quatro anos. Aprendeu a ler e escrever, com grande dificuldade. Apesar de colegas, os dois pastores videntes não tinham maior simpatia mútua. Apesar da grande dedicação das Irmãs do Colégio para com os dois, a educação de ambos era uma tarefa difícil. Além do ensino, importava ajudá-los a que evitassem o envaidecimento por causa do evento, e a exploração por parte de interesseiros. Aprendiam a ser discretos. Carregados de defeitos, tinham belas qualidades. Melânia, particularmente, era alvo de admiração. A Diretora do Colégio, Irmã Santa Tecla, esforçava-se para incutir na pastora um espírito de humildade.

Melânia e Maximino receberam a 1ª Comunhão a 7 de maio de 1848. A pastora tinha então 16 anos e meio. A 25 de junho de 1850, ambos foram crismados em Corps. Nesse tempo, Melânia, tanto quanto Maximino, subiam com frequência até o local da Aparição, em companhia de peregrinos a quem incansavelmente repetiam a narrativa do grande evento.

Pouco tempo depois, em 1850 ainda, ambos deixaram o Colégio e partiram de Corps, cada um seguindo seu rumo na vida. Nunca mais viveram próximos um do outro. Distantes entre si mantinham, no entanto, plena fidelidade ao Fato da Salette e amor incondicional à Bela Senhora.

Melânia, em sua timidez, desejando tornar-se Religiosa, foi encaminhada como postulante, a um Convento das Irmãs da Providência situado em Corenc, próximo a Grenoble. Era o mês de outubro de 1850. Um ano mais tarde, recebeu o hábito e entrou no Noviciado na mesma Congregação. Depois recebeu a missão de cuidar de um grupo de crianças na Escola das Irmãs. Severa e melancólica manifestava apego às próprias ideias. Era excêntrica, embora piedosa, mortificada. Preferia estar sozinha. As Irmãs estavam preocupadas com sua tendência para uma autoimagem inflada. Seu nome de Religiosa era Irmã Maria da Cruz.



A 6 de julho de 1851, estando em Corenc, depois de insistências de Dom Philibert que se sentia  pressionado por circunstâncias alheias à própria vontade, Melânia redigiu uma carta com seu “segredo”, carta enviada com a de Maximino, ao Papa Pio IX. Supunha-se que os escritos de ambos contivessem o real “segredo da Salette”, recebido separadamente e em sigilo por cada um dos videntes durante a Aparição. Lacradas, as duas cartas foram imediatamente levadas a Roma e guardadas nos Arquivos do Vaticano. As cartas conteriam verdadeiramente a “palavra pessoal” ou “segredo” dado por Nossa Senhora a cada um dos videntes durante a Aparição? Ou teriam eles escrito algo para desviar a curiosidade malsã dos que queriam saber aquilo que, só a eles, os videntes, foi dito pela Bela Senhora?

Em setembro de 1854, um Bispo inglês, Dom Newshan, visitou a Montanha da Salette. Encontrou-se com Melânia que lhe pareceu muito sofrida. Em Carta a Dom Ginoulhiac, Dom Newshan sugeriu que Melânia fosse à Inglaterra para um repouso. Dom Ginoulhiac lhe deu permissão, contanto que ela mesma, Melânia, consentisse em fazer essa viagem. Pessoas mal intencionadas acusaram, mais tarde, a Dom Ginoulhiac de ter desterrado a vidente, o que é historicamente falso.

Na Inglaterra, Melânia teve contato com o Convento das Irmãs Carmelitas de Darlington. Cativada pelo estilo de vida das Irmãs, solicitou a admissão no Convento. A 25 de fevereiro de 1855 recebeu o hábito de carmelita. A cerimônia pomposa foi para ela motivo de satisfação e vaidade. Deu início ao Noviciado. Professou os votos religiosos a 24 de fevereiro de 1856. Logo, porém, surgiram sinais de inquietação quanto ao modo de ser de Melânia.

Em setembro de 1860, ela quis retornar para França. Sua família estava em má situação. Foi a Marselha onde se encontrava sua mãe. Conheceu ali as Irmãs da Compaixão. Depois de ter passado algum tempo com as Irmãs Carmelitas em Marselha, foi acolhida no Noviciado das Irmãs da Compaixão, em outubro de 1864. Não podia, no entanto, dar-se a conhecer como vidente da Salette, sob a pena de ser excluída da Comunidade.

Nessa época, a Itália vivia convulsionada com movimentos revolucionários de caráter nacionalista, gerando conflitos político-religiosos. Alguns Bispos do Sul da Itália buscaram refúgio na região de Marselha. Melânia conheceu um deles, Dom Petagna, Bispo de Castellamare di Stabia, que ao voltar para a sua Diocese, deu proteção à vidente. Desligando-se da Congregação das Irmãs da Compaixão, Melânia foi morar em Castellamare di Stabia. Antes, porém, visitou a Montanha da Aparição, em abril de 1867. Na Itália ganhava precariamente a vida. Recebeu ajuda do Pe. Silvain-Marie Giraud, Superior Geral dos Missionários de Nossa Senhora da Salette.

Em 1879, Melânia julgou que era chegado o momento de publicar seu famoso “segredo”. Uma versão longa substituiria outras versões mais curtas, antes elaboradas. O texto final foi impresso em Lecce, no Sul da Itália. Dom Zola, Bispo da Diocese, lhe deu o “imprimatur”. O opúsculo contém a narrativa da Aparição e o chamado “segredo da Salette” é ali amplamente desenvolvido, mais do que a própria Mensagem da Bela Senhora. Trata-se, porém, não do “segredo da Salette” e sim do “segredo de  Melânia”, uma piedosa e ingênua mulher que, envolvida por pessoas desequilibradas, externa seus fantasmas interiores, seus sofrimentos e desilusões. O texto se refere a metrópoles depravadas, a nações ímpias, ao Papa, ao Imperador, lança impropérios contra o Clero, prediz o nascimento do “Anticristo”. Trata-se de texto eivado de catastrofismo, de anticlericalismo, com traços de racismo. É inadmissível atribui-lo a Nossa Senhora. A reação da autoridade eclesiástica foi imediata e forte. O texto foi condenado. Dom Zola foi repreendido e seu processo de beatificação foi definitivamente suspenso, por causa desse “imprimatur” dado ao opúsculo de Melânia. Essa medida extremamente severa contra esse ato de Dom Zola foi confirmada por João Paulo II, em 1985. Outras condenações do “segredo de Melânia”, por parte da Santa Sé, ocorreram posteriormente.

Em 1884 Melânia voltou para a França, e morava em Cannes para cuidar da mãe enferma. Continuou a receber ajuda financeira da parte dos Missionários de Nossa Senhora da Salette. A mãe morreu a 1º de dezembro de 1889. Melânia, então, foi morar em Marselha. Nesse tempo, com a ajuda do Cônego De Brandt, da Diocese de Amiens, encantado pelo “segredo de Melânia”, ardoroso partidário de visões e revelações apocalípticas, tratou de fundar a Congregação dos “Apóstolos dos Últimos Tempos”. A autoridade eclesiástica se opôs. Contrariada, Melânia abandonou o projeto.

Em 1892 a pastora vidente da Salette voltou à Itália. Estabeleceu-se na Diocese de Lecce cujo Bispo era Dom Zola.

Em 1897, se transferiu para Messina, na Sicília, onde ajudou o Bispo Dom Annibale di Francia, hoje canonizado, a fundar uma Congregação feminina. Ali, a pedido de Dom Annibale, Melânia redigiu uma autobiografia.

Em 1899 ela se transferiu para Diou, no Allier, França, a convite de Padre Combe que a tomou sob sua proteção. Combe era monarquista, detentor exacerbado de visão apocalíptica de caráter político-religioso. Manipulava o “segredo de Melânia” segundo os próprios intentos. Combe também complementou a autobiografia de Melânia. Nessa autobiografia aparecem  historietas de experiências místicas que a menina Melânia, antes da Aparição, teria vivido supostamente numa infância extraordinária, reflexo das fantasias da adulta Melânia a respeito de uma vida que teria gostado de viver e não viveu. Trata-se de retroprojeções e não de experiências reais. A infância de Melânia não corresponde historicamente aos sonhos que ela elaborou a respeito da própria infância. Seu “segredo”, depois das diferentes versões redigidas pela própria Melânia, e manipulado por mãos estranhas, não pode receber criteriosamente o qualificativo de “sobrenatural”.

O texto autobiográfico de Melânia, repassado por Combe a Léon Bloy, foi por este publicado em 1912, oito anos após morte de Melânia. Bloy, um patético, genial e genioso escritor francês, se deixou fascinar pela vida da pastora da Salette. Parece que, para ele, a Aparição da Salette é menos importante que a vida mística de Melânia. Para muitos, a partir disso, a pastora sobrepuja a Bela Senhora da Salette. Em torno de tais mistificações se organizou o movimento “melanista” que explora esse veio de misticismo. A publicação da autobiografia de Melânia foi condenada pela Santa Sé.

Aproximando-se do final de sua vida, Melânia esteve pela última vez na Montanha da Salette em 1902. Depois da narrativa da Aparição feita aos peregrinos presentes, narrativa idêntica à que ela havia feito a 19 de setembro de 1846, em Ablandens, deu a entender que tomava distância de toda a confusa história pessoal em que se envolveu, ao afirmar: -“Já não sei o que é meu e o que é de outros, mas o que se passou a 19 de setembro de 1846 é como acabo de vos contar”. A declaração revela uma distinção, por parte de Melânia, entre o que, na verdade, viu, ouviu e viveu na Aparição da Salette, e o que elaborou depois, a respeito desse evento grandioso, por influência perniciosa de outrem.

Em junho de 1903, Melânia voltou novamente para a Itália, estabelecendo-se em Altamura, na Província de Bari, sob a proteção de Dom Cechini, Bispo da Diocese. Morava sozinha numa pequena casa cedida por uma família benfeitora. Usava um hábito de religiosa embora não pertencesse mais a nenhuma Congregação. Levava uma vida de muita oração e penitência. Diariamente frequentava a Missa no Convento das Irmãs que Dom Annibale havia fundado com a ajuda de Melânia. No dia 15 de dezembro de 1904 não compareceu à Missa. Procurada em sua casa, foi encontrada morta. O Bispo, as Irmãs e grande multidão a sepultaram solenemente na Capela das Irmãs, em Altamura.

Era o fim de uma vida atribulada de cristã sincera. Apesar das limitações pessoais, das pressões alheias e da exploração por parte de pessoas desequilibradas ou mal-intencionadas, Melânia vivia uma profunda espiritualidade. Percorreu uma vida certamente virtuosa ao longo de uma trajetória existencial sofridamente tortuosa. Sua história pessoal teria suscitado outras repercussões na Igreja se ela tivesse tido uma sábia e firme orientação espiritual.

Melanie descreve a Bela Senhora


A luz e a voz de Nossa Senhora em La Salette

Nossa Senhora em La Salette apareceu envolta numa grande luz. Intensissima como a do astro solar, mas não queimava os olhos.

Ela tinha graus, ou como que círculos concêntricos de intensidade. Essa luz envolveu os videntes.

“A Santa Virgem – explicou Mélanie – estava envolta em duas claridades.

“A primeira delas, mais próxima da Santíssima Virgem, chegava até nós.

“A segunda se estendia um pouco mais em volta da bela Dama, e nos encontrávamos n
ela.

“Esta luz era imóvel, não cintilava, porém bem mais brilhante que nosso pobre sol da Terra. Essas luzes não faziam mal aos olhos e em nada fatigavam a vista.

“Além de todas essas luzes, de todo esse esplendor, do corpo da Santa Virgem e de seus trajes saíam feixes de luz.

“A voz da bela Dama era suave. Encantava, fascinava, fazia bem ao coração. Saciava e aplainava todos os obstáculos. Parecia ter querido me alimentar de sua bela voz. Meu coração parecia dançar ou querer ir ao seu encontro para se derreter nela”.

Para Maximin o resplendor e a voz de Nossa Senhora era como “uma luz bem diferente de todas as outras. Ela ia diretamente ao meu coração, sem passar por meus ouvidos.

“Entretanto, com uma harmonia que os mais belos concertos não poderiam reproduzir. Digo com um sabor que os licores mais doces não conseguem ter”.

As Lágrimas de Nossa Senhora em La Salette descritas pela Vitente Melanie Calvat.
Mélanie descreveu também o pranto de Nossa Senhora

“A Santa Virgem chorava quase o tempo todo enquanto falava. Suas lágrimas corriam lentamente até os joelhos e desapareciam como faíscas de luz.

“Eram brilhantes e cheias de amor. Eu desejava consolá-la, para que não chorasse mais.

“Mas me parecia que tinha necessidade de mostrar suas lágrimas, para melhor evidenciar seu amor esquecido pelos homens.

“Eu quis me jogar nos seus braços e dizer-lhe: Minha mãe querida, não choreis! Quero vos amar por todos os homens da terra.

Mas parece que Ela dizia: Há tantos que não me conhecem.

“As lágrimas de nossa terna mãe, longe de diminuir seu ar de Majestade, Rainha e Senhora, pareciam embelezá-la, torná-la mais bela, mais poderosa, mais cheia de amor, mais maternal, mais encantadora. Eu talvez tivesse ingerido suas lágrimas, que faziam meu coração estremecer de compaixão e de amor.

“É compreensível que vendo chorar uma mãe, e uma tal mãe, se queira empregar todos os meios imagináveis para a consolar, para transformar suas dores em alegria”.

O Olhar de Nossa Senhora


Enquanto Nossa Senhora falava, o magnífico panorama alpino do local se transformou. E as crianças viram nele a efetivação do que Nossa Senhora dizia. 

Mas, Nossa Senhora falou também pelo olhar. E disse coisas que as palavras são insuficientes para transmitir.

Mélanie descreveu assim esse olhar de Nossa Senhora:

“Os olhos da Santíssima Virgem, nossa terna mãe, não podem ser descritos por língua humana.

“Seria preciso um serafim, seria preciso a linguagem do próprio Deus, desse Deus que criou a Virgem Imaculada, obra-prima de sua onipotência.

“Os olhos da augusta Maria pareciam mil vezes mais belos que os brilhantes, os diamantes, as pedras preciosas mais procuradas.

“Eles brilhavam como sóis. Eram doces, feitos da própria doçura, luminosos como um espelho. Em seus olhos via-se o Paraíso, eles atraíam a Ela.

“Ela parecia querer dar-se e atrair. Quanto mais eu a olhava, mais a queria ver. Quanto mais a via, mais a amava com todas minhas forças. 

“Os olhos da bela Imaculada eram como a porta de Deus, de onde se via tudo que pode inebriar a alma. Quando meus olhos se encontravam com os da Mãe de Deus e minha, sentia dentro de mim uma feliz revolução de amor, uma promessa de amá-la e de me desfazer de amor.

“Quando nos olhávamos, nossos olhos conversavam à sua maneira. Eu a amava tanto, que teria querido osculá-la entre os olhos.

“Eles enterneciam minha alma e pareciam atraí-la e a fundir com a minha. Seus olhos inculcaram um suave tremor em todo o meu ser.   
“Eu temia qualquer movimento que lhe pudesse ser desagradável, por menor que fosse.

“A simples visão dos olhos da mais pura das virgens teria bastado para tornar-se o céu de um bem-aventurado. Teria bastado para que uma alma se unisse plenamente com a vontade do Altíssimo, permanecendo assim em meio aos eventos da vida mortal.

“Teria bastado para que esta alma praticasse contínuos atos de louvor, de ação de graças, de reparação e de expiação.

“Esta simples visão concentra a alma em Deus e a torna como uma morta viva que olha todas as coisas da Terra, até as que lhe parecem mais sérias, como se fossem brinquedos de crianças. Ela não desejaria senão ouvir falar de Deus e do que toca na sua glória”.
O Segredo de La Salette 

Mélanie , o que vou te dizer agora não será segredo para sempre .
Tu podes publicá-lo em 1858. (obs.:Note que este é o ano da Aparição de Nossa Senhora em Lourdes para Sta. Bernadete)
1. Os Sacerdotes e ministros de meu Filho , por causa de suas más vidas , pelas sua irreverências e por sua impiedade ao celebrar os santos mistérios , pelo amor ao dinheiro , por amor as honras e aos prazeres , converteram-se em cloacas de impureza. Sim os Sacerdotes provocam a vingança e a vingança pendem sobre suas cabeças.
2. Ai dos sacerdotes e pessoas consagradas a Deus que pelas suas infidelidade e más vidas , crucificam meu Filho de novo! Os pecados das pessoas consagradas a Deus clamam ao céu e atraem vingança , e eis que a vingança está às suas portas, porque já não se encontra ninguém para implorar misericórdia e perdão para o povo. Já não há almas generosas , já não há ninguém digno de oferecer a Vítima sem mancha ao Eterno pelo mundo. Deus vai castigar o mundo de uma maneira sem precedente . Ai dos habitantes da Terra ! Deus vai esgotar sua cólera e ninguém poderá fugir a tantos males juntos.
3. Os chefes , os condutores do povo de Deus , descuraram a oração e a penitência , e o demônio obscureceu as suas inteligências. Tornaram-se naquelas estrelas errantes que a antiga serpente arrastará com sua calda para os fazer perecer. Deus permitirá que a antiga serpente ponhe divisões entre os soberanos ,e as famílias .Sofrer-se-ão penas físicas e morais . Deus abandonará o homem a si mesmo e enviará castigos que irão de suceder mais de trinta e cinco anos .
4. A sociedade está nas vésperas das mais terríveis calamidades e dos maiores acontecimentos . Deverá esperar vir a ser governada com vara de ferro e beber o cálice da cólera de Deus .
5. Que o vigário de meu Filho o Sumo Pontífice Pio IX , não saia de Roma depois de 1859 , mas que seja firme e generoso , que combata com as armas da fé e do amor . Eu estarei com ele.
6. Que desconfie de Napoleão , seu coração é falso e quando ele quiser ao mesmo tempo ser Papa e Imperador depressa Deus se retirará dele. Ele é aquela águia que querendo sempre subir mais alto cairá sobre a espada de que se queria servir para obrigar os povos a submissão.
7. A Itália será castigada pela sua ambição , por querer sacudir o jugo do Senhor dos senhores , também ela será entregue a guerra . O sangue correrá por todo o lado , as Igrejas serão fechadas e profanadas , os sacerdotes e religiosos serão perseguidos ; fa-los-ão morrer , e morrer de morte cruel. Muitos abandonarão a fé , e o números de sacerdotes e religiosos que apostarão da religião verdadeira será grande ; entre estes encontrar-se-ão até mesmo bispos.
8. Que o Papa se acautele contra os fazedores de milagres porque chegou o tempo em que se hão de operar os mais espantosos prodígios no céu e no ar.
9. No ano de 1864 , serão desencadeados do inferno Lúcifer com um grande número de demônios , eles abolirão a fé pouco a pouco , mesmo nas pessoas consagradas a Deus. Cegá-las-ão de tal forma que salvo por graça particular; essas pessoas tomarão o espíritos desses anjos maus . Muitas casas religiosas perderão completamente a fé e perder-se-ão muitas almas.
10. Os livros maus abundarão a terra e os espíritos das trevas espalharão por toda a parte um relaxamento universal por tudo o que seja a serviço de Deus e terão um grandiosícimo poder obre a natureza. Haverá Igrejas ao culto desses espíritos. Certas pessoas serão transportadas de a outro lugar por esses maus espíritos até sacerdotes , porque eles não serão conduzidos pelo bom espírito do Evangelho , que é um espírito de humildade , de caridade e de zelo pela glória de Deus.
11. Serão ressuscitados mortos e justos. ( isto é , estes mortos tomarão a aparências destas almas justas que viveram na terra para melhor seduzir os homens . Estes ditos mortos ressuscitados não serão mais que o demônio sob as suas figuras e pregarão outro evangelho contrário ao de Jesus Cristo , negando quer a existência do céu , quer a existência das almas dos condenados. Todas essas almas aparecerão como que unidas a corpos.) E ver-se-á por toda parte prodígios extraordinários , porque a fé verdadeira se extinguiu e a falsa luz ilumina o mundo . Ai dos príncipes da Igreja que se tenham apenas dedicado em acumular riquezas , a salvaguardar a sua autoridade e a dominar com o orgulho!
12. O vigário do meu Filho terá muito que sofrer por que por um tempo a Igreja será entregue a grandes perseguições : será o tempo das trevas , a Igreja terá uma crise medonha.
13. Esquecida a Santa Fé de Deus , cada indivíduo quererá governar-se por si mesmo e ser superior aos seus semelhantes . Abolir-se-ão os pobres civis e eclesiásticos, a ordem e a justiça serão calçadas aos pés. Só se verão homicídios , ódios , inveja , mentira e discórdia , sem amor pela pátria e nem pela família.
14. O Santo Padre sofrerá muito , estarei com Ele até o fim para receber seu sacrifício . Os malvado atentarão muitas vezes contra sua vida sem poder por fim aos seu dias ; mas nem ele , nem seu sucessor ( que não terá muito tempo) verão o triunfo da Igreja de Deus.
15. Os governantes terão todos o mesmo plano que será abolir e desaparecer todo princípio religioso para dar lugar ao materialismo , ao ateísmo ao espiritismo e a toda espécie de vícios.
16. No ao de 1865 ver-se-á abominação nos lugares Santos. Nos conventos as flores da Igreja estarão putrefactas e o demônio converter-se-à no rei dos corações. Que os que estão a frente de comunidades religiosas vigiem as pessoas que hão de receber porque o demônio usará de toda sua malícia para introduzir nas ordens religiosas pessoas dadas ao pecado pois as desordens e o amor aos prazeres estarão espalhados por toda a terra.
17. A frança , a Itália a Espanha e a Inglaterra , entrarão em guerra; o sangue correrá pelas ruas; o francês lutará contra o francês , o italiano contra o italiano e depois haverá uma guerra geral, que será muito medonha . Por um tempo Deus esquecer-se-á da França e da Itália porque o Evangelho de Jesus Cristo já não é conhecido . Os malvados desenvolverão toda a sua malícia , os homens hão de matar-se e assassinar-se dentro das suas casas.
18. Ao primeiro golpe da Sua espada fulminante , as montanhas ,a natureza inteira estremecerá de espanto , porque as desordens e os crimes dos homens traspassam a abóbada do céu. Paris será queimada e Marselha será engolida várias cidades grandes serão abaladas e soterradas por terremotos. Julgar-se-á tudo perdido. Não se verá mais que homicídios , não se ouvirá senão ruído das armas e blasfêmias . Os justos sofrerão muito , as suas orações penitências e lágrimas subirão ao céu e todo povo de Deus pedirá perdão e misericórdia implorando a minha ajuda e intercessão.
19. Então Jesus Cristo , por um ato de sua justiça e da sua misericórdia para com os justos , mandará seus anjos dar morte a todos os seus inimigos. Num abrir e fechar de olhos os perseguidores da Igreja de Jesus Cristo e todos os homens escravos do pecado perecerão e a terra ficará como um deserto.
20. Então far-se-á a paz , a reconciliação de Deus com os homens . Jesus Cristo será servido e glorificado. A caridade florescerá por toda a parte . Os novos reis serão o braço direito da Igreja que será forte , humilde e piedosa, pobre zelosa e imitadora das virtudes de Jesus Cristo. O Evangelho será pregado por toda a parte e os homens farão grandes progressos na fé , porque haverá unidade entre os obreiros de Jesus Cristo, e porque os homens viverão no temor de Deus.
21. Esta paz entre os homens não será longa : 25 anos de abundantes colheitas farão esquecer que pecados dos homens são causas de todos os males que sucedem a Terra.
22. Um percursor do anti-cristo , com um exército composto de muitas nações , combaterá o verdadeiro Cristo o único Salvador do mundo ; derramará muito sangue e pretenderá aniquilar o culto de Deus que se ele considere a ele como deus.
23. A terra será castigada com toda a espécie de praga( além da peste e da fome que serão gerais) , haverá guerras até a última que será feita então pelos dez reis aliados do anti-cristo , que terão todos os mesmo desígnios e serão os únicos a governar o mundo.
24. Antes que isso aconteça , haverá no mundo uma espécie de falsa paz. Não se pensará senão em divertimentos os malvados entregar-se-ão a todo o gênero de pecados . Mas os filhos da Santa Igreja , os da fé , os meu verdadeiros imitadores crescerão no amor de Deus e nas virtudes que mais queridas me são . Ditosas as almas humildes , dirigidas pelo espírito Santo! Eu combaterei com elas até chegarem a plenitude dos tempos.
25. A natureza clama por vingança contra os homens e treme de medo à espera do que deve acontecer a terra empapada de crimes. Tremei ó terra e vós que fazeis profissão de servir Jesus Cristo , e que dentro de vós adorais a vós mesmos. Tremei porque Deus entregar-vos-á ao seu inimigo , porque os lugares santos estão na corrupção; muitos conventos já não são casas de Deus , mas sim de Asmodeu e dos seus.
26. Será durante este tempo que nascerá o anti-cristo duma religiosa hebraica , duma falsa virgem que terá comunicação com a antiga serpente , o mestre da impureza . O seu pai será bispo. À nascença vomitará blasfêmias , terá dentes , numa palavra será de impurezas. Terá irmãos que embora não sendo como ele ,diabos encarnados, serão filhos do mal. Aos doze anos chamarão a atenção pelas rudes vitórias que alcançarão . Bem depressa se colocarão a frente de grandes exércitos assistidos por legiões do inferno.
27. As tentações mudarão. A terra só produzirá maus frutos . Os astros perderão seus movimentos regulares. A lua só transmitirá uma débil luz avermelhada . A água e o fogo impumirão ao globo terrestre movimentos convulsivos e horríveis terremotos que tragarão montanhas e cidades inteiras .
28. Roma perderá a fé e converter-se-á a sede do anti-cristo.
29. Os demônios do ar farão , o anti-cristo grandes prodígios na terra e nos ares e os perverter-se-ão cada vez mais . Deus cuidará de seus fiéis servidores e dos homens de boa vontade. O Evangelho será pregado por toda a parte , todos os povos e todas as nações conhecerão a verdade!
30. Eu dirijo um urgente apelo a terra : chamo os verdadeiros discípulos do Deus vivo , que reina nos Céus. Chamo os verdadeiros imitadores de Cristo feito homem , o único e verdadeiro salvador dos homens. Chamo os meus filhos , os verdadeiros devotos , os que se deram a mim para que eu os conduza ao meu Divino Filho, aqueles que eu levo , por assim dizer , em meus braços ; chamo os que vivem no meu espírito ; chamo em fim os Apóstolos dos últimos tempos , os fiéis discípulos de Jesus Cristo que vivem no desprezo do mundo e de si próprios , na pobreza e na humildade , no silêncio , na oração e na mortificação , na castidade e na união com Deus , no sofrimento e desconhecidos do mundo. Já é hora que saiam e venham iluminar a terra. Ide e mostrai-vos como meus filhos queridos . Estou conosco e em vós , desde que a vossa fé seja a luz que vos ilumine nestes dias de infortúnio . Que o vosso zelo vos tornem como que famintos da glória e da honra de Jesus Cristo . Combaterei filhos da luz , vós pequeno número que ainda tendes visão , porque chegou o tempo dos tempos , o fim dos fins.
31. A igreja será eclipsada , o mundo estará em aflição . Mas eis que chegam Enoch e Elias , cheios do espírito de Deus ; eles pregarão com a força de Deus e os homens de boa vontade acreditarão em Deus e muitas almas serão consoladas . Farão grandes progressos pela virtude do Espírito Santo e condenarão os erros diabólicos do anti-cristo.
32. Ai dos habitantes da Terra ! virão guerras sangrentas e fome , pestes e enfermidades contagiosas , chuvas de uma horrorosa saraiva de animais , que abalarão cidades , terremotos que engolirão países ; ouvir-se-ão vozes no ar , os homens baterão com as cabeças nos muros , chamarão a morte e por outro lado a morte será o seu suplício. Correrá o sangue por toda a parte . Quem poderá vencer se Deus não diminuir o tempo da prova? Pelo sangue , as lágrimas e as orações dos justos Deis deixar-se-á aplacar . Enoch e Elias serão martirizados . Roma pagã desaparecerá. Cairá fogo do Céu consumirá três cidades. Todo o universo será preza de terror e muitos deixar-se-ão seduzir porque não adoravam o verdadeiro Cristo , que vivia entre eles . Chegou o tempo , o céu escurece , só a fé viverá.
33. Eis o tempo abre-se o abismo . Eis o rei das trevas . Eis a besta com seus súditos dizendo -se o salvador do mundo. Elevar-se-á com soberba , pelos ares para subir até o céu ; será precipitado pelo sopro de São Miguel Arcanjo. Cairá, e a Terra que estava três dias em contínuas evoluções , abrirá o seio , cheio de fogo , e ele será precipitado para sempre com todos os seus abismos do inferno. Então a água e o fogo purificarão a terra e a consumirão todas as obras do orgulho dos homens e tudo será renovado ; Deus será servido e glorificado." Depois ,a senhora desapareceu.Os pastorinhos passaram então a divulgar a Mensagem de Nossa Senhora,mesmo sendo caluniados e perseguidos pelos membros da Igreja e da Sociedade . Até hoje , as imagens do local da Aparição ,a Fonte Milagrosa e a basílica de La Salette são a meta de romarias de peregrinos do mundo inteiro ,que se dirigem para consolar a Mãe de Deus ,a Virgem Dolorosa e Lacrimosa .